sábado, 25 de maio de 2013

''Meus olhos se abriram no meio da escuridão. Aos poucos, ouvia o silêncio que anunciava que realmente estava sozinha ali. O silêncio, começava a incomodar, meus pensamentos estavam criando passagens entre mundos que eu me recusava entrar. Mundos talvez mais escuros do que o meu próprio. Coloquei uma música que marcava a minha passagem entre a realidade e as lembranças. Meus olhos se encheram de lágrimas. Lágrimas que eu não poderia deixar que caíssem. Não por aquilo, não por memórias. Quando eu deixei uma gota de sangue cair do meu primeiro corte, eu me prometi, até mesmo sabendo que seria impossível, que não choraria mais por aquele motivo que talvez fosse embora na mesma intensidade com que chegou. Eu odeio quebrar promessas, mas essa não seria a primeira, então eu deixei as lágrimas caírem, uma tentação enorme levou meu olhar a uma lâmina que estava escondida por entre as bagunças. Mas não. Quebrar duas promessas num único dia, causariam mais que um ódio próprio. Então fechei os olhos. Deixei que a canção tirasse o máximo de lágrimas que conseguisse do meu peito lotado delas. Adormeci ali. Tive um sonho bom, mas não me lembrei qual. Sei que acordei com a mesma música tocando e um sorriso enfeitando minha face. ''

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