sábado, 25 de maio de 2013
''Meio
ressabiada, ela me disse uma coisa que eu temia ouvir. na forma de um
desabafo, ela disse que se corta há dois meses. Um ódio percorreu meu
corpo, uma imensa vontade de socar-lhe a mão na cara, de dizer o quão
fraca e mesquinha ela estava sendo. Uma raiva dominou seu corpo, olhei
nos olhos dela, pronta para dizer tudo que pensara, mas desistira ao ver
o pedido de socorro que estava estampado
ali. Um sentimento de pena invadiu meu corpo. Estava de frente com
olhos tão confusos e que temiam a minha reação. Suspirei. Tentei
entender. Ela me disse que se tornara um vício e ela sorriu enquanto
descrevia a sensação de ter algo cortando seu corpo. Fiquei espantada
com aquele sorriso, nunca tinha visto algo tão malicioso. No final, ela
me disse que era segredo. Eu disse-lhe que procurasse um médico, era uma
doença. Ela me explicou que era impossível e eu lamentei muito por
isso. Seria mais uma alma perdida. E eu estava amarrada, não tinha como
ajudá-la. Chorei a noite toda e me cortei. Sim, agora eu entendia ela.''
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