domingo, 2 de junho de 2013



Clarisse já estava há 3 horas em frente o computador, sentia seu corpo cansado e seus olhos ardiam um pouco. Os fechou com certa força, e abriu logo em seguida para continuar o que fazia. A tela do computador estava desligada, suspirou fundo e apertou o botão da tela, uma, duas, três vezes e... Nada.
 -Eu não acredito nisso- Falou nervosa.
   A luz apagou. A porta do seu armário abriu
 - Antes de começarmos, me prometa que vai manter as luzes apagadas, e que esteja sozinha, eu sou tímido, quero que seja especial.
 -Q-quem é você?- Perguntou assustada

 - Alguma vez você já sentiu uma sensação de estar sendo observada? Pois bem, sou eu. Você não deve acreditar agora, mas se eu te dissesse que por essas horas e horas que você está sentado em frente a essa tela, eu te observava? Enquanto você dormia, eu te admirava? Mas que motivos você teria para acreditar? Isso é apenas uma história, não é? Você já está grandinha para ter medo do que existe embaixo de sua cama. Você não precisa ter medo, afinal, você já olhou, e não tinha nada lá. Será que não? Será que o que seus pais te contavam antes de ir dormir, era tudo mentira?
  Ela levantou da cadeira, o coração batendo a mil, olhava em tudo a sua volta, mais só havia a escuridão

 - Não adianta olhar aos redores, você não vai me encontrar, mas será que por isso eu não existo? Porque você não me enxerga? Eu estou aqui, agora. Saia do computador, você já está a horas sentadas em frente a essa tela, talvez assim você consiga fugir de mim, eu estou mais perto do que você imagina. Não vai adiantar me procurar, eu já disse, então não vale a pena o esforço de olhar aos redores do seu quarto, eu não vou estar embaixo da sua cama, mas sempre estarei por perto, você é uma obra de arte, em breve fará parte de minha coleção, será minha preferida.
 Mordeu os lábios com força para impedir o grito que cortava a sua garganta, lágrimas escorriam por todo o seu rosto, mais não foi motivo o suficiente para a voz parar.

 - Há anos te venero, te admiro, mas só agora, que você já sabe de minha existência, poderei te ter aqui, comigo, poderá me ver, assim como te vejo. Saia um pouco de casa, aproveite o tempo que te sobra. Tome um banho, troque essa roupa, você não vai sair na rua assim não é?
  Cambaleou até a porta do quarto, tremendo, e começou a girar freneticamente a maçaneta. A porta estava trancada.
  -Antes de você ir, espere, tenho uma ultima coisa a falar, troque essa roupa, hoje está um dia quente, você está suada, e não vai sair na rua com essa roupa não é? Com tantas roupas bonitas aqui dentro...
 
 Clarisse parou, tomando coragem, e virou para o seu armário.
 - Já reparou que a porta do armário está sempre aberta? Mesmo que seja só por alguns centímetros?
 Uma figura grande e sombria começou a passa pela porta do móvel
 - Já reparou que não importa o quanto você tente fechá-la, basta que você saia e ela estará pelo menos um milímetro aberta quando você volta?
 Os passos lentos se aproximavam
 - Já reparou que quando pequeno você tem medo que pode haver dentro do seu armário? Já reparou que não importa o quanto você arrume suas roupas dentro dele, no outro dia pelo menos uma estará bagunçada?
 Cada vez mais perto.

 -Já reparou que em pelo menos 50% das historias de terror os monstros saem do armário? Já reparou que a porta do seu armário faz um rangido quando aberta vagarosamente?
 Parou em frente à garota
 - Já reparou que você fala enquanto dorme?
 A mesma escorregou pela porta, paralisada de medo

 - Não? Bom... Eu já reparei. - Riu melodiosamente-Acalme-se pequena criança, não vou te fazer mal, apenas gosto de te ver dormir.