sexta-feira, 19 de julho de 2013

‘‘Eu parei de chorar todas as noites. Assim como parei de pensar em qualquer pessoa antes de adormecer. Nas últimas madrugadas eu tenho pensado em mim. Eu nunca choro por mim, eu não tenho amor próprio suficiente para isso. Decidi viver os segundos como se fossem meus últimos. Mesmo que assim eu me faça mal. Já me acostumei com isso. Tenho minhas cicatrizes para me lembrarem todos os dias. Só espero não fazer outras.’’-

domingo, 2 de junho de 2013



Clarisse já estava há 3 horas em frente o computador, sentia seu corpo cansado e seus olhos ardiam um pouco. Os fechou com certa força, e abriu logo em seguida para continuar o que fazia. A tela do computador estava desligada, suspirou fundo e apertou o botão da tela, uma, duas, três vezes e... Nada.
 -Eu não acredito nisso- Falou nervosa.
   A luz apagou. A porta do seu armário abriu
 - Antes de começarmos, me prometa que vai manter as luzes apagadas, e que esteja sozinha, eu sou tímido, quero que seja especial.
 -Q-quem é você?- Perguntou assustada

 - Alguma vez você já sentiu uma sensação de estar sendo observada? Pois bem, sou eu. Você não deve acreditar agora, mas se eu te dissesse que por essas horas e horas que você está sentado em frente a essa tela, eu te observava? Enquanto você dormia, eu te admirava? Mas que motivos você teria para acreditar? Isso é apenas uma história, não é? Você já está grandinha para ter medo do que existe embaixo de sua cama. Você não precisa ter medo, afinal, você já olhou, e não tinha nada lá. Será que não? Será que o que seus pais te contavam antes de ir dormir, era tudo mentira?
  Ela levantou da cadeira, o coração batendo a mil, olhava em tudo a sua volta, mais só havia a escuridão

 - Não adianta olhar aos redores, você não vai me encontrar, mas será que por isso eu não existo? Porque você não me enxerga? Eu estou aqui, agora. Saia do computador, você já está a horas sentadas em frente a essa tela, talvez assim você consiga fugir de mim, eu estou mais perto do que você imagina. Não vai adiantar me procurar, eu já disse, então não vale a pena o esforço de olhar aos redores do seu quarto, eu não vou estar embaixo da sua cama, mas sempre estarei por perto, você é uma obra de arte, em breve fará parte de minha coleção, será minha preferida.
 Mordeu os lábios com força para impedir o grito que cortava a sua garganta, lágrimas escorriam por todo o seu rosto, mais não foi motivo o suficiente para a voz parar.

 - Há anos te venero, te admiro, mas só agora, que você já sabe de minha existência, poderei te ter aqui, comigo, poderá me ver, assim como te vejo. Saia um pouco de casa, aproveite o tempo que te sobra. Tome um banho, troque essa roupa, você não vai sair na rua assim não é?
  Cambaleou até a porta do quarto, tremendo, e começou a girar freneticamente a maçaneta. A porta estava trancada.
  -Antes de você ir, espere, tenho uma ultima coisa a falar, troque essa roupa, hoje está um dia quente, você está suada, e não vai sair na rua com essa roupa não é? Com tantas roupas bonitas aqui dentro...
 
 Clarisse parou, tomando coragem, e virou para o seu armário.
 - Já reparou que a porta do armário está sempre aberta? Mesmo que seja só por alguns centímetros?
 Uma figura grande e sombria começou a passa pela porta do móvel
 - Já reparou que não importa o quanto você tente fechá-la, basta que você saia e ela estará pelo menos um milímetro aberta quando você volta?
 Os passos lentos se aproximavam
 - Já reparou que quando pequeno você tem medo que pode haver dentro do seu armário? Já reparou que não importa o quanto você arrume suas roupas dentro dele, no outro dia pelo menos uma estará bagunçada?
 Cada vez mais perto.

 -Já reparou que em pelo menos 50% das historias de terror os monstros saem do armário? Já reparou que a porta do seu armário faz um rangido quando aberta vagarosamente?
 Parou em frente à garota
 - Já reparou que você fala enquanto dorme?
 A mesma escorregou pela porta, paralisada de medo

 - Não? Bom... Eu já reparei. - Riu melodiosamente-Acalme-se pequena criança, não vou te fazer mal, apenas gosto de te ver dormir.

sábado, 25 de maio de 2013

"Trancada na realidade de sufocar seus sonhos. Sonhos não alimentam o corpo, mas sim a alma. Corpo vazio. São quase todos assim, exceto aqueles que não deixaram seus sonhos caírem de cada centímetro que crescia."
"Por muito tempo eu procurei a morte. Ela se escondeu entre esse mundo todo, entre becos da tristeza e campos da felicidade. Ela gosta de jogos, gosta de chegar quando ninguém espera tão incansavelmente por uma visitinha. Nessa busca, conheci sentimentos capazes de matar outros e travei uma batalha dentro do meu próprio pensamento. Talvez eu não mais a procure. Morri nessa batalha, minha alma morreu e deixou um corpo vazio, incapaz de combater a força de uma navalha."
"Procurei-me dentro de tantas máscaras, caminhei por tantos sorrisos, conheci tantas lágrimas e vaguei por tantos olhares. Me perdi entre eles. Sinto meu corpo vazio, trancado em um pesadelo. Tire-me daqui."
''O ontem não foi capaz de prever o hoje, então sequer tente se proteger das lágrimas do amanhã. Tudo vem rápido demais e as surpresas são a melhor parte. E também a pior. Nem sempre são boas e nem sempre são acompanhadas de pessoas que te fazem ou simplesmente farão você sorrir. Você nunca saberá quem veio para te fazer chorar e quem veio para recolher suas lágrimas e tentar colocar em sua face, um mero sorriso. Por isso tente, se arrisque, chore pensando nos sorrisos que passaram e nunca guarde para si, aquilo que trouxe de alguém. Os números não são iguais, portanto sentimentos que pertencem a outra pessoas, nunca farão bem a ti. Leia e se descubra. Sorria e dance. Fale o que pensar. Mas não pense antes de falar. Quem pensa demais acaba um poeta. E poetas não costumam seguir no que falam.''
''Hoje faz um mês. Um mês que aprendi a sorrir e a ver sorrisos nas lágrimas que antes enfeitavam meu mundo preto e branco. Passou tão rápido como um conto, ainda tenho medo de cair dele e me ver numa realidade pior do que estava tempos atrás. Tenho medo de ter que desacreditar em cada mera ilusão que eu me disse que sim, era verdade. Por mais que minha mente tenha me mostrado todos os obstáculos, eu escolhi seguir em frente. Na verdade, eu nunca escolheria enfrentar o mundo. Mas eu não estive só. Há um mês alguém segurou a minha mão e me levou para um passeio por um mundo que me pertencia, mas eu nunca fui, nem nunca serei dona de toda essa felicidade que esse mundo era capaz de me dar. A felicidade sempre me incomodara um pouco, pois eu nunca sabia como lidar com ela, eu não me conhecia sobre os efeitos dela. Há um mês atrás, eu me joguei nas águas de uma correnteza que eu nunca conheci. Um mês atrás eu aprendi a viver e hoje, quem me levou a esse passeio no qual eu ainda não voltei, não se lembrou disso.''
Antes de começarmos, me prometa que vai apagar as luzes, e que esteja sozinho, eu sou tímido, quero que seja especial.

Alguma vez você já sentiu uma sensação de estar sendo observado? Pois bem, sou eu. Você não deve acreditar agora, mas se eu te dissesse que por essas horas e horas que você está sentado em frente a essa tela, eu te observava? Enquanto você dormia, eu te admirava? Mas que motivos você teria para acreditar? isso é apenas uma história, não é? Você já está grandinho para ter medo do que existe embaixo de sua cama. Você não precisa ter medo, afinal, você já olhou, e não tinha nada lá. Será que não? Será que o que seus pais te contavam antes de ir dormir, era tudo mentira?

Não adianta olhar aos redores, você não vai me encontrar, mas será que por isso eu não existo? porque você não me enxerga? eu estou aqui, agora. Saia do computador, você já está a horas sentado em frente a essa tela, talvez assim você consiga fugir de mim, eu estou mais perto do que você imagina. Não vai adiantar me procurar, eu já disse, então não vale a pena o esforço de olhar aos redores do seu quarto, eu não vou estar embaixo da sua cama, mas sempre estarei por perto, você é uma obra de arte, em breve fará parte de minha coleção, será minha preferida.

Há anos te venero, te admiro, mas só agora, que você já sabe de minha existência, poderei te ter aqui, comigo, poderá me ver, assim como te vejo. Saia um pouco de casa, aproveite o tempo que te sobra. Tome um banho, troque essa roupa, você não vai sair na rua assim não é? Antes de você ir, espere, tenho uma ultima coisa a falar, troque essa roupa, hoje está um dia quente, você está suado, e você não vai sair na rua com essa roupa não é ? Com tantas roupas bonitas aqui dentro..
Já reparou que a porta do armário está sempre aberta? Mesmo que seja só por alguns centímetros? Já reparou que não importa o quanto você tente fechá-la, basta que você saia e ela estará pelo menos um milímetro aberta quando você volta?
Já reparou que quando pequeno você tem medo que pode haver dentro do seu armário? Já reparou que não importa o quanto você arrume suas roupas dentro dele, no outro dia pelo menos uma estará bagunçada?
Já reparou que em pelo menos 50% das historias de terror os monstros saem do armário? Já reparou que a porta do seu armário faz um rangido quando aberta vagarosamente? Já reparou que você fala enquanto dorme?

Não? Bom... eu já reparei.
Acalme-se pequena criança, não vou te fazer mal, apenas gosto de te ver dormir.
''Me transforma em felicidade. Essa tristeza que mora aqui há tanto tempo está ficando cada vez mais jovem, está sugando aos poucos minha alma infantil. Me tornando uma adulta triste, uma alma desesperada em busca de qualquer pessoa que seja gentil e dê-lhe sua alma intacta.''
''Foi silencioso. Eu fingi estar tudo bem. Como eu sempre faço. Eu tive que sair, na verdade tudo que eu queria naquele momento era o barulho dos meus fones. Eu não era capaz de continuar fingindo por mais alguns segundos, por menores que fossem e por mais rápidos que eles passassem. Eu não controlei minha lágrima. Ela caiu. Era tudo que eu não queria. Um lágrima nunca cai sozinha. Eu quis fugir, na verdade de mim mesma. Eu poderia ter dito tudo que pensei. Mas não queria fazer chorar quem o mesmo me fez. Eu secava cada gota que caia, mas elas brotavam sem parar dos meus olhos avermelhados. Foi mais forte que eu, eu desfiz uma promessa, me odiei por isso. Mas a única forma de secar minhas lágrimas e fugir daquela dor que atormentava meu peito e sufocava minha garganta era um pequeno corte. Um mero alívio. Um maior. Eles foram aumentando na medida que a música embalava, que a dor ia embora. Mas as lágrimas continuavam caindo. Mas agora elas tinham um motivo meu. Algo que eu causei, eu escolhi. Se minha felicidade dependia dos outros, minha dor, não mais.''
''Que essa noite passe lenta... As torturas do dia são bem piores. A noite acalma a alma aflita por resposta. Que tudo demore muito... Para que eu possa me recuperar de toda essa confusão que está me destruindo por dentro. ''
''Meus olhos se abriram no meio da escuridão. Aos poucos, ouvia o silêncio que anunciava que realmente estava sozinha ali. O silêncio, começava a incomodar, meus pensamentos estavam criando passagens entre mundos que eu me recusava entrar. Mundos talvez mais escuros do que o meu próprio. Coloquei uma música que marcava a minha passagem entre a realidade e as lembranças. Meus olhos se encheram de lágrimas. Lágrimas que eu não poderia deixar que caíssem. Não por aquilo, não por memórias. Quando eu deixei uma gota de sangue cair do meu primeiro corte, eu me prometi, até mesmo sabendo que seria impossível, que não choraria mais por aquele motivo que talvez fosse embora na mesma intensidade com que chegou. Eu odeio quebrar promessas, mas essa não seria a primeira, então eu deixei as lágrimas caírem, uma tentação enorme levou meu olhar a uma lâmina que estava escondida por entre as bagunças. Mas não. Quebrar duas promessas num único dia, causariam mais que um ódio próprio. Então fechei os olhos. Deixei que a canção tirasse o máximo de lágrimas que conseguisse do meu peito lotado delas. Adormeci ali. Tive um sonho bom, mas não me lembrei qual. Sei que acordei com a mesma música tocando e um sorriso enfeitando minha face. ''
''Olhava para o nada, em busca de uma mera passagem que me lavasse ao meu mundo. Enquanto caminhava pelos ladrilhos gastados pela força da minha imaginação, um beco escuro me chamou atenção. Por um segundo, olhei para ele e lembrei de cada beco, que por uma curiosidade tola, entrei e me perdi. Não, eu não queria entrar, mesmo que fosse recheado de felicidade e coberto pela simplicidade de sorrir. A escuridão deles me apavorava, faziam minha mente viajar para lembranças que eu me obrigava a esquecer, mesmo que inútil, eu nunca consegui fazê-las desaparecer de minha mente por mais que meros segundos. Um sentimento de confusão invadiu meu peito. Na verdade, somente mais um. Decidi dar só uma olhadinha. Talvez estivesse escondido ali, a solução de todos os meus problemas. Deixei um pé de fora e entrei com o resto do corpo. Uma força misticamente estranha me sugava. Eu via somente um vulto escuro a levar qualquer motivo que eu poderia encontrar para sorrir. Lembranças iam invadindo meu corpo, deixando minha mente perdida entre o que era real e o que não passava de paranoia dessa sobra que possuía o dom de enganar sentimentos. Fui bambeando o corpo. Agora me via deitada num completo escuro. Sim, eu sabia que era minha imaginação.. Mas não era a primeira vez que ela era bem mais forte do que eu mesma. Tentava me mexer, mas não adiantava. Uma aflição dominava cada segundo que me encontrava dominada pela minha própria mente. Um movimento do mundo real me fez voltar do meu passeio dentro de minha mente. Eu estava chorando. Coberta dos mesmos sentimentos repulsivos. Eu deixara minha felicidade lá. Teria de voltar para buscá-la. Mas não. Temia aquela criatura que criei dentro do meu ódio. Estava fria como o gelo. Triste e depressiva. O próximo passo temia revelar. Só saberia que faria-me mal, meu próprio mal. Eu me odiava por ter sido capaz de criar um monstro daqueles dentro de si mesma. Na verdade, eu sempre fora ele.''
''Tem uma lágrima parada no meu peito. Tire-a daqui antes que eu mesma faça isso com minha lâmina. Eu não posso suportar o silêncio que ela me impõe. Eu não consigo mais segurá-la por mais tempo. Mas eu queria que a solução dela, causasse lágrimas só minhas...''
''Os olhos mais distantes da realidade que vi. Os olhos que enfeitavam a face que eu queria tão bem. O olhar que se cruzou com o meu tão poucas vezes, mas foram suficientes para derreter qualquer sentimento existente aqui. O olhar que me causou tantas lágrimas. As lágrimas que não param de molhar o teclado, que não param de sufocar essa respiração. Sim, eu tento esquecer esse olhar, mas eu não consigo. Não sou capaz de enganar a mim mesma. Eu fiquei chocada com tudo que vi nesse olhar. Me sinto amarrada ao que ele causou bem aqui no fundo. O olhar que foi capaz de criar tantas dúvidas, de devastar tanta felicidade, de plantar tantos medos e destruir tantos planos. Eu quero fugir dele, mas cada segundo que me perco em devaneios, volta minha lembrança de cada reflexo que eu vi ali, naquela escuridão de olhos tão marcantes, então meu peito aperta de lágrimas, meus olhos enchem de água e eu não consigo mais segurá-las. Eu me prendi à aquele olhar e enquanto eu não me desprender, não conseguirei ser completamente minha, muito menos de outras pessoas. Eu me prendi, da mesma forma com que sempre me calei. Na verdade, eu já me faço só mal e ainda cruzo com olhar tão...tão...tão... Eu não sei explicar, assim como não consigo parar de chorar.''
''Eu trocaria cada segundo certo de planos para anos, por apenas um segundo no qual eu pudesse me jogar nesse olhar e mergulhar profundamente nessas ilusões que vou escutar. Mas enquanto eu não consigo, deixo lágrimas cairem, por medo, dosadas com lembranças e desejos oprimidos. ''
''Me leve ao teu mundo de aventuras. Eu quero me jogar em cada uma, eu quero conhecer o que vi naquele olhar. Eu quero provar do que tanto me encantou. Eu quero demais, mas minhas lágrimas me impedem de ir atrás.''
''Não quero olhar nos seus olhos. Na verdade, não serei capaz de tamanho teatro. Me recuso a te enganar, mas para isso tenho que descobrir qual é a verdade dentro de mim mesma. Se olhar bem no fundo, verá as lágrimas que caíram enquanto cada letra ia sendo digitada. Mas não fará diferença, elas vão secar, assim como todas as outras que caíram durante a tarde anterior. Tenho medo de que veja toda a confusão que passa no meu peito. Todas as dúvidas que nasceram nesses três dias. Na verdade, elas já vem me cortando há um certo tempo. Mas um olhar me confundiu. Na verdade, não fora só um olhar. Mas fora o que este me fizera pensar. Pensar, no tempo que eu perdi, me amarrando a coisas paralelas. Me fez ver o mundo de aventuras que estava correndo sobre os meus olhos, enquanto eu ficava ali, parada, deixando lágrimas entristecer meu rosto. Isso me fez sentir um pássaro trancado na gaiola. Amarrado pelo pé, as ondas da tristeza e do medo de nunca encontrar outro porto seguro. Eu queria me entregar ao mundo, conhecer suas belezas. Mas para vencer o mundo, eu precisava de ao menos, me vencer.''
''O mundo que eu criei está escuro até para mim mesma. Um olhar o apagou e somente o mesmo pode acendê-lo. Minha felicidade, novamente estava nas mãos de outra pessoa, por que eu não consigo me culpar pelo fracasso dela. Eu não preciso de mais essa culpa.''
''Por onde olho, vejo tristeza. Algumas escondidas, outras à mostra. Pessoas que odeio, tristes. Eu queria dar-lhes um pouco de felicidade, mesmo que isso me obrigue a sugar as suas tristezas. Eu só não suporto pensar que existem pessoas passando pelo mesmo que eu e as outras nem percebem. Pessoas cheias de felicidade, incapazes de reparar naquele olhar baixo, naquela garganta seca, naqueles suspiros para segurar lágrimas... Mundo egoísta.''
''Tinha palavras entaladas na sua garganta. Tinha lágrimas tampando o seu peito. Tinha dúvidas enlouquecendo sua mente. Tinha um medo, que percorria o corpo todo. Lágrimas caíram de seus olhos, mais uma vez. Não suportava mais remediar seu corpo com o silêncio.''
''_Vai...Cria coragem nesse peito cheio de lágrimas e diz ao mundo o que sente, mostra a alma aflita atrás dessa pose de forte.
_Eu não posso. Eu não consigo. Sou só uma alma fraca, jogada às maldades dessa realidade imóvel.
_Vale a pena morrer nessa tristeza, por quem disse-lhe que não pode?
_Vale a pena me encher de esperanças e quebrar a cara na realidade por quem me diz que posso? Onde está seu sorriso, para querer ver o meu?''
''Não é que as coisas piorem durante a noite, é só que você se se gastou muito durante o dia para mantê-las escondidas.''
''Não seria capaz de dizer a verdade, porque não sabia qual era a verdade...Talvez tudo não passasse de um mera ilusão, somente mais uma daquelas, feitas para confundir os sentimentos frágeis.''
''Sinto falta de mim mesma. De quando eu me entendia e quando meu silêncio era o único inimigo que batia na porta dos meus sonhos.''
''Não. Eu cansei. Eu não suporto mais chorar, não suporto mais sentir a lâmina que corta meu corpo deslizando suavemente. Eu não me entendo. Me sinto presa, condenada a sorrir para despertar sorrisos. Eu desisti de enfrentar o mundo. Minhas forças não são mais suficientes nem contra mim. Não exija essa batalha da minha alma tão escura...Eu vi de longe, a liberdade, em um olhar tão insano. Eu queria me jogar. Mas fui amarrada por laços que o tempo me prendeu. Minhas lágrimas caem por isso. Também por isso, pois o maior dos motivos, nunca caberia em palavras. Ele cai em gotas de lágrimas, assim como de sangue. Eu não peço mais socorro. Eu não preciso mais de socorro. Quando eu realmente precisava, ninguém viu. Agora não me venham com culpas e desculpas. De agora para frente, eu me viro sozinha, eu e minha lâmina.''
''Logo após uma crise, em que o automutilador fere o próprio corpo ou apresenta qualquer outro comportamento autoagressivo, o sentimento que permanece é, geralmente, de culpabilidade. O indivíduo geralmente chora muito e a sensação de fracasso é extrema.''
''Na tolice da lágrima que caia, um reflexo que eu não conhecia estava de frente ao meu espelho, chorando e com os olhos avermelhados, talvez pelos infindáveis dias em que sua melancolia domina seu tempo. Sim, era eu, mas ao mesmo tempo não. Eu esqueci que o espelho não reflete caráter, muito menos o que sente por dentro. Ele só diz aquilo que todo mundo vê, a mesma figura imperfeita. Ele só multiplica toda a dor e angústia que estiver morando em seu peito. Ele te leva pra viajar nas próprias tristezas do seu olhar. O espelho virou uma tortura. Somente mais uma. Não a mais dolorida, nem a mais viciante. Somente mais uma. Mas essa tortura era inevitável.''
''Antes de me perguntar como estou, me diga. Eu pareço bem? Eu estou animada e feliz? Meus olhos não estão vermelhos o suficiente para mostrar o quanto tenho chorado nos últimos dias? Você pode ver muito menos do que sinto. Você não pode ver meus cortes. Você não sabe a quantidade de remédios que tomei, esperando melhorar das torturas da minha mente. Você não viu o sangue que caiu, do meu coração. Da minha alma. Você não viu nada, você não sente nada. Agora não me pergunte mais isso, eu estou bem. Fora isso tudo, eu estou bem.''
''Meio ressabiada, ela me disse uma coisa que eu temia ouvir. na forma de um desabafo, ela disse que se corta há dois meses. Um ódio percorreu meu corpo, uma imensa vontade de socar-lhe a mão na cara, de dizer o quão fraca e mesquinha ela estava sendo. Uma raiva dominou seu corpo, olhei nos olhos dela, pronta para dizer tudo que pensara, mas desistira ao ver o pedido de socorro que estava estampado ali. Um sentimento de pena invadiu meu corpo. Estava de frente com olhos tão confusos e que temiam a minha reação. Suspirei. Tentei entender. Ela me disse que se tornara um vício e ela sorriu enquanto descrevia a sensação de ter algo cortando seu corpo. Fiquei espantada com aquele sorriso, nunca tinha visto algo tão malicioso. No final, ela me disse que era segredo. Eu disse-lhe que procurasse um médico, era uma doença. Ela me explicou que era impossível e eu lamentei muito por isso. Seria mais uma alma perdida. E eu estava amarrada, não tinha como ajudá-la. Chorei a noite toda e me cortei. Sim, agora eu entendia ela.''
''Dói muito, mas é uma dor que eu escolhi. Na verdade, essa é uma das únicas dores que me faz sorrir. Uma dor pequena e fina, como a lâmina. Vem e devagar, aos poucos torna-se insuportável. Dói o corpo, mas dói ainda mais a alma. Eu não queria fazer isto. Choro, exatamente agora por tê-lo feito. Eu não queria gostar tanto da lâmina que corta tão insanamente meu corpo. Eu não queria gostar de tantas coisas e tantas pessoas. Não me importo mais com essa dor, a que atormenta meu corpo, a que aperta meu peito é sempre bem maior."
''Uma imensa vontade de chorar. Sim, eu posso deixar que elas caiam, eu preciso aliviar essa dor que vem do meu peito e sufoca minha garganta, estou longe de todos, meu único segundo para mim mesma. Você não conhece essa dor. Essas lágrimas que caem não são as primeiras, nem serão as últimas. Entenda que eu estou exausta de trazer sorrisos, de suprir seus vazios. Eu estou também estou vazia, minhas lágrimas não param de sufocar há dias. Por favor, não exija nada de mim, não me prenda, não me sufoque. Eu já me sinto sufocada o suficiente.''
''Me faça chorar. Me dê mais motivos. Esses ainda não são suficientes para me encorajar ao meu último corte.''
''Esse vazio que está aqui, bem no fundo do peito um dia fora preenchido por um amigo. O tempo não levou ele por completo, mas me mudou para adaptar-me a ausência dele. Não que meus cortes e minhas lágrimas sejam culpa dele, essas são todas minhas. Mas fora aquele olhar que me fizera cortar a primeira vez. Fora esse vazio, que fez crescer uma lágrima. E fora minha mudança que me tornou viciada a ambas as torturas.''
''Essa noite só será mais uma daquelas muitas que passei com meus fones, deitada na cama, chorando baixo e incapaz de dormir. Eu só peço que ela passe bem devagar. Durante o dia eu não posso chorar.''
''Hoje é só mais um dia. Vou levando o dia em suspiros que tentam incansavelmente parar as lágrimas que insistem em sufocar meu peito. Eu queria que elas pudessem cair agora. Passar a noite em claro, recolhendo cada uma delas, está me deixando exausta. Mas não importa. Prefiro forçar meu sorriso durante o dia e engolir a lágrima. As pessoas nunca entenderiam o motivo por que choro. Eu não quero explicar. Nunca expliquei, não seria agora que apareceria alguém capaz de entender.''

sexta-feira, 3 de maio de 2013






Me permiti chorar um pouco enquanto pensava no que tinha me tornado ao longo dos meus anos miseráveis de vida. Acho que eu quebrei ou sou uma exceção ao ditado popular “ O sofrimento só nos faz mais forte”. Eu não estava mais forte, nenhum pouco. Muito pelo ao contrario. Eu me sentia quebrada, até vazia. Eu começava a me acostumar com a dor e então ela se torna algo corriqueiro se adaptando ao resto deixando a sensação longa, fria e triste de um grande nada. Era isso que eu era.
 


Não pense que o poder de criar é algo que nasce da felicidade. Felicidade é a sensação de pura plenitude e isso é totalmente inútil, você não poderá criar grandes coisas com isso. Agora a tristeza, a miséria, o fundo do poço, ahhh, eles sim são a verdadeira fonte de inspiração de um ser. Você pode até não concordar com isso, o que provavelmente quer dizer que você ainda é um (pobre) otimista. Mas pare bem pra observar esse raciocínio. Ele está em tudo ao redor e isso é um fato tão concreto quanto o sol nascer ao oeste. Então é complicado, pelo menos pra mim. Os meus “talentos” são movidos a sentimentos miseráveis e isso as vezes me confundia.

Doença?

Enfim, eu já disse pra você que sou uma daquelas pessoas peculiares que nascem com um grande buraco negro no peito? Não, bom...Eu “sofro” disso. Não gosto de falar  “Ahh eu sofro disso” parece doença. Isso não é doença. Talvez... Talvez você “sofra” disso também. Já parou pra pensar? E não é só uma metáfora dos infernos. As vezes dói mesmo. Na verdade, mais que “as vezes”, quase o tempo todo. Esse é o grande paradoxo. Se você nasce com o único dom, talento, que é para a vida, essa mesma vida vai extremamente difícil... Essa sou eu.